Por Mariana Keller
Fotos: divulgação
Circo, música, poesia, teatro, dança e literatura.
Seria possível reunir tudo isso em um projeto musical? Para o compositor Fernando Anitelli essa mistura é mais do que possível.
Idealizado por ele, o Teatro Mágico é uma banda formada em 2003 na cidade de Osasco, em São Paulo. Com 12 integrantes, o projeto reúne diferentes segmentos artísticos numa mesma apresentação.
Inspirados pelo escritor alemão Hermann Hesse, que apresentou o conceito de teatro mágico em seu livro “O Lobo da Estepe”, os integrantes tocam vestidos de palhaço e as performances artísticas são feitas durante as músicas, que falam sobre todos os tipos de sentimentos humanos. A ideia principal é mostrar os diferentes personagens internos que existem em cada um de nós.
E não é só na forma de se apresentar que está o diferencial da banda. Fernando e sua trupe fazem questão de estarem mais próximos do público e acreditam que é justamente ele a força necessária para o projeto dar certo. Durante os shows, os pedidos da plateia sempre são atendidos e a interação entre os dois é bastante visível.
Além disso, o grupo é adepto do movimento que eles chamam de MPB, que significa Música Para Baixar. Através dele, eles defendem o livre compartilhamento de arquivos musicais pela internet e a flexibilização dos direitos autorais no ramo, sempre valorizando a arte independente.
Eles também não trabalham com gravadora. Todas as gravações em estúdio são bancadas pelos próprios integrantes e seus CDs e DVDs são vendidos a preços populares no final dos shows em um stand chamado “Lojinha TM”. A loja é montada nos locais das apresentações e também vende objetos relacionados a trupe como livros e camisetas.
A banda tem três CDs lançados: “Entrada para Raros” de 2003, “O Segundo Ato” de 2008 e “A Sociedade do Espetáculo” de 2011. O álbum de estreia contém grandes sucessos como “Ana e o Mar”, que Anitelli compôs para sua esposa chamada Mariana, e “O Anjo mais Velho”. Mas foi com o segundo disco que eles ficaram mais conhecidos, lançando singles como “Pena” e “O Mérito e o Monstro”.
O Teatro Mágico é mais do que um simples projeto musical. Ao misturar diversos segmentos artísticos, a bagunça organizada, como o próprio Fernando Anitelli denomina a banda, brinca com os conceitos de música e arte transformando tudo em fábula. Eles nos mostram através de um fantástico e sensível trabalho que tudo pode ser poesia, só depende da nossa forma de olhar.
O mais interessante, é que além de fazerem poesia com suas músicas, a proposta se torna ainda mais bela quando percebemos que por trás de toda a arte existe humildade e uma verdadeira ideologia. E é justamente isso o que falta em muita banda por aí.


Confira um pouco da performance de O Teatro Mágico:
Por Jéssica Sardinha
Fotos: divulgação
Dois coelhos é um filme nacional com incisivas referencias norte-americanas na trama. É um thriller de ação, que vai agradar a quem, como eu, gosta do gênero, “violência a La Tarantino”.
A trama é fragmentada, cheia de idas e vindas. Há quem diga que isso prejudicou o roteiro. Fato é que o cinema brasileiro não tem tido muito sucesso quando aposta nesse modelo, mas parece-me que pela primeira vez um diretor acerta na medida.
O fato é que também, é um filme épico contemporâneo. Conta a história de um Anti-Herói, Edgar, que em sua frenética e maquiavélica jornada chega por fim, apenas no último minuto do filme, ao seu propósito. Propósito afinal que não se desconfia durante todo o filme.
A mistura da linguagem de videoclipe, videogame e as trucagens de pós-produção são o que dão maior movimento a trama, que se fosse colocada em ordem cronológica, de fato não teria grandes surpresas.
A personagem de Alessandra Negrini tem ataques de pânico, e isso peculiarmente chama a atenção. Quando entra nesses surtos ela vai para uma realidade alternativa.
Num filme com o ritmo tão frenético, a realidade alternativa da personagem é toda em slow-motion e mistura animação com filme, numa aura de contos de fadas mórbidos, bem ao estilo Tim Burton.
Aliás, no filme são claras as referências a diversos diretores consagrados norte-americanos. Mas também é clara a referência a Cidade de Deus, só que ambientando as gírias e molejos do bandido paulistano.
Em Dois Coelhos, ninguém é mocinho, ninguém é inocente, e quanto mais mexe mais fede. Mas no final, tudo é esclarecido e o público sai do cinema chacoalhado e refletindo.
Confira o trailer:
O carnaval passou e agora curta as várias dicas literárias para o ano todo da nossa colaboradora Paola Patrício (fotos: divulgação)
Para quem gosta de romance juvenil, duas dicas
Minha Vida Fora de Série – 1ª Temporada, de Paula Pimenta - Editora Gutemberg.
“Mudar de cidade sempre é difícil, mas fazer isso na adolescência é algo que deveria ser proibido. Como começar de novo em um lugar onde todos já se conhecem, onde os grupos já estão formados, onde ninguém sabe quem você é? A princípio, Priscila não gosta da ideia, mas aos poucos percebe que pode usar isso a seu favor, tendo a chance de ser alguém diferente.
Mas será que o papel escolhido é aquele que ela realmente quer representar? Aos poucos, Priscila percebe que o que importa não é o lugar e sim as pessoas que vivem nele. E que, além da nova cidade, há algo mais importante a se conhecer: ela mesma.
Quem gosta da coleção “Fazendo meu filme” não pode perder o livro de estreia dessa nova série de Paula Pimenta. Situado no mesmo universo ficcional, temos a oportunidade de acompanhar alguns dos nossos já adorados personagens, três anos antes da história de "Fazendo meu filme” começar. Não perca a 1ª temporada da vida fora de série de Priscila!” Preço médio R$ 34,90.
Glimmerglass – O Encontro de dois Mundos, de Jenna Black - Editora Universo dos Livros.
“Dana Hathaway ainda não sabe, mas vai acabar se metendo em apuros quando decide que é a hora de fugir de casa para encontrar seu misterioso pai na cidade de Avalon: o único lugar na Terra onde o mundo real e o mágico se cruzam.
No entanto, assim que Dana põe os pés em Avalon, tudo começa a dar errado, pois ela não é uma adolescente comum – ela é uma faeriewalker, um indivíduo raro que pode viajar entre os dois mundos e a única pessoa que pode levar magia ao mundo humano e tecnologia a cidade de Faerie. Não demora muito e Dana envolve-se no jogo implacável da política do mundo da magia.
Alguém está tentando matá-la, e todos parecem querer alguma coisa dela, desde seus novos amigos e da família até Ethan, o lindo garoto com poderes fantásticos com quem Dana acha que nunca terá uma chance… Até ter uma. Presa entre esses dois mundos, Dana não sabe bem onde se encaixa ou em quem pode confiar, muito menos se sua vida um dia voltará a ser normal.” Preço médio R$ 39,90.
A dica para quem gosta de um romance policial:
Irresistivelmente Fatal, de Márcio Scheibler, produção independente.
“Uma festa. Uma linda mulher. Sexo. E por fim, sangue. O jovem Leandro Biavatti pertencia a uma família rica e sempre estava acompanhado de belas mulheres. Evitava envolvimento sério com qualquer uma delas, pois sempre achava que estavam com ele apenas por interesse financeiro.
Mas uma noite de êxtase na vida dele torna-se macabra, pois sua vida terminaria ali, em sua própria cama. Um crime misterioso, depravado e assustador. Seu melhor amigo, Rodrigo, aciona seu tio detetive, Otávio Medeiros, para tentar resolver esse caso enigmático.
Ao longo da trama, acontecimentos e informações incríveis surgem e uma história fantástica vem à tona. “Aliando erotismo e mistério, IRRESISTIVELMENTE FATAL relata sentimentos e atitudes muito presentes em nosso cotidiano, de um ponto de vista trágico e racional.” Preço médio R$ 18,90.
Para os amantes de romance:
O Céu Está em Todo Lugar, de Jandy Nelson - Editora Novo Conceito.
“Este é um livro de estreia vibrante, profundamente romântico e imperdível. Lennie Walker, de dezessete anos de idade, gasta seu tempo de forma segura e feliz às sombras de sua irmã mais velha, Bailey. Mas quando Bailey morre abruptamente, Lennie é catapultada para o centro do palco de sua própria vida - e, apesar de sua inexistente história com os meninos, inesperadamente se encontra lutando para equilibrar dois.
Toby era o namorado de Bailey, cujos sentimentos de tristeza Lennie também sente. Joe é o garoto novo da cidade, com um sorriso quase mágico. Um garoto a tira da tristeza, o outro se consola com ela. Mas os dois não podem colidir sem que o mundo de Lennie exploda...” Preço médio R$ 20,90.
Um ótimo livro sobre drama:
A Guardiã da Minha Irmã, Jodi Picoult - Editora Verus.
“Concebida por meio de uma fertilização in vitro, Anna foi trazida ao mundo para ser uma combinação genética para a sua irmã mais velha, Kate, que sofre de leucemia promielocítica aguda.
Aos 15 anos, Kate passa a sofrer de insuficiência renal. Anna sabe que se doar seu rim, ela terá uma vida limitada. Ciente de que terá de doar um de seus rins para sua irmã, Anna processa os pais para obter emancipação médica e direito sobre seu próprio corpo.” Preço médio R$ 29,90.
Gostaram das dicas?! Os preços expostos podem variar de acordo com o local de compra. Mas, se depois de todas essas dicas você ainda não se decidiu por qual começar, ou ainda não achou o livro que irá viajar, segue abaixo alguns links para que auxiliar a todos.
http://plantaoonline.blogspot.com
http://www.editoranovoconceito.com.br/
Por Vivian Giuzio
Fotos: divulgação
A escritora pernambucana Lilian Farias sabe bem quais são os ingredientes certos para apimentar uma história.
Romance, poesia e sentimentos compõe a trama da primeira obra da escritora que soube misturar com perfeição os gêneros, resultando em uma envolvente historia de duas mulheres tão diferentes, mas ao mesmo tempo, semelhantes, que buscam a felicidade por meio da libertação de suas angústias, anseios e outras emoções.
Em uma brilhante analogia, “Encontros para a Liberdade” compara o voo das borboletas com a sede de ser livre de corpo, alma e mente.
Em entrevista para o MA, Lilian Farias conta um pouco mais sobre como foi escrever “Encontros para a Liberdade”, fala um pouco sobre a Lilian escritora, dá uma amostra de como será o próximo livro e já adianta que está elaborando o terceiro. Confira!
MA – "Encontros para Liberdade" é seu primeiro romance? Conte-nos um pouco sobre esta experiência.
Lilian Farias – Sim! Encontros para liberdade foi um período de transe total, passei 15 dias acordada e não conseguia parar de escrever. É como um filho! Claro que também as angústias e medos fazem parte do processo, por não saber se o que escrevia era realmente bom. Se iria agradar etc.
O processo de escrita deu-se por que minha professora de Literatura Brasileira pediu um texto que falasse sobre Fluxo da consciência. O tal texto é o primeiro capítulo do livro, então a experiência foi mágica. Não consigo mais parar de escrever!
MA – Qual foi sua inspiração para escrever "Encontros para Liberdade"?
Lilian – Foram tantas, mas algumas mais marcantes, como filmes: Mary and the Max; O ano em que meus pais saíram de férias; Perfume de mulher; Sex and The City. Músicas como as de: Pink Martini; Elza Soares; Alanis Morissette; Ana Cañas; Engenheiros do Havaí; Zé Ramalho; Raul Seixas; Virgínia Rodrigues etc., Escritores como: Mário Quintana; Clarice Lispector; Martha Medeiros; Nietzsche etc.
Alguns personagens foram baseados em situações que via nas ruas da cidade. Clementino é um bom exemplo disso, por incrível que pareça conheci uma pessoa com características semelhantes...
MA – No livro suas personagens buscam a sonhada liberdade para serem felizes. Para você o que é liberdade e o que ela significa?
Lilian – Comparo a liberdade às borboletas. Depois de toda a metamorfose elas saem voando... Isso é muito significativo e divino. Na minha célula a liberdade é tudo. Por isso escrevo. Imaginem um escritor com corretes no pincel? Não dá! A ideia de gaiola me é abominável! (risos). Acredito na liberdade concebida de dentro pra fora, bem como a felicidade.
MA – A obra conta a história de Dolores e Clarice, duas personagens tão diferentes, mas com angústias e anseios semelhantes. Como foi criá-las?
Lilian – Criá-las foi dar vida a elas no meu íntimo, nas vísceras, no próprio DNA. Foi sentir junto com elas. É mergulhar no caos e no cosmo sem medo. Pensar em Clarice e Dolores não foi tarefa fácil. Só na metade do livro é que pude decidir o destino delas, elas me confundiam o tempo todo! (risos). E acabo me contradizendo, pois na verdade elas decidiram o destino delas.
Pensar nas angústias das personagens centrais é adentrar no universo de algumas mulheres, que por várias razões estão acorrentadas em seus próprios medos e padrões impostos pela sociedade. Acorrentadas a verdades absolutas que nem sempre corresponde a verdade material do próprio corpo.
MA – Você já está pensando em escrever outro livro? Se sim, a linha será a mesma, um romance ou vai explorar outros gêneros?
Lilian – Meu segundo livro está pronto e é de poesias. Não sei quando o lançarei e se o lançarei, pois gosto de postar minhas poesias no meu blog. Querem uma palhinha?
Paixões de esquina
Ele era um sábio sacana
De condições monossilábicas
Ria sarcasticamente
E dizia mais que as palavras.
Encontrei-o na esquina
De barba mal feita
Cabelos arredios
Ele deu um sorriso
E por completo me despiu.
Lambeu-me as nádegas
E achei super arredio.
Arisquei-me no susto
E de sabor súbito
Tomei um vinho.
Suspiramos até o amanhecer
Foi bom para você?
Censuras mal feitas
Um cheiro no ar
Adeus pra você
Pois eu vou cantar!
Sem alianças
Amor laico
De poucas horas
Abstinência de testemunhas
Vitrine do descaso
Interesse clássico
Amor sarcástico
Cerne marginal
Horas de turgescência
Ilha de superficialidade
Pura adenosina
Eis uma paixão de esquina!
Ele era um sábio sacana
De condições monossilábicas
Ria sarcasticamente
E dizia mais que as palavras.
Eu era uma menina bacana
De língua afiada
Parecia mais uma tarada
Ideologicamente uma surtada!
Encontramo-nos na esquina.
Não sobrou nada
Apaziguada
Somente a sensação
De loucura desarmada!
E vivemos uma paixão de esquina
Debaixo de uma sacada
Inesperada
A veia desatada
Sugou a libido!
Eis a paixão de esquina
Um haikay de pura cafeína.
Lilian farias - 04/10/2011
MA – No livro você mistura romance e poesia. Combinação perfeita por sinal. Fale um pouco sobre a importância desta união para a obra.
Lilian – A perspectiva da poética para obra é a própria representação da felicidade atrelada ao vôo das borboletas que propõe a liberdade. Um valor ímpar que a poesia tem para mim é o de representar o belo. Mesmo diante do caos, o poeta consegue transformar a dor no que há de mais sublime e mágico. Eu precisava levar essa simbologia para o livro.
MA – Agora, estamos curiosos para conhecer um pouco mais de você. Quem é a Lilian escritora e a Lilian mulher, as duas se separam na vida ou se complementam?
Lilian – Lilian é uma escritora. Não consigo separar! Preciso viver e sentir para materializar a escrita. Gosto de lecionar e abraçar a causa da educação, mas o que move meus pulmões é a escrita. Não existiria Lilian sem a literatura! Não posso deixar de falar que sou uma mulher apaixonada por minha família e meu companheiro.
MA – No momento você está lendo algo especial?
Lilian – “Parem de Falar Mal da Rotina” de Elisa Lucinda, “O Jogo das Sombras” de Conie Zweig e Stive Wolf, “A Arte de Perder” de Michael Slede, e Adriana Vargas com o “Voo da Estirpe”.
MA – Quais são os seus autores e livros de cabeceira?
Lilian – Marta Medeiros, Mulheres que Correm com os Lobos, O pequeno príncipe; Shakespeare, Nietzsche, Eduardo Galeno, Mário Quintana, Nelson Rodrigues, Jorge Amado e Hilda Hilst.
MA – Quais os planos para 2012?
Lilian – Nos projetos está em dar asas para meu site, que ainda está em fase de planejamento, continuar trabalhando com meu livro “Encontros para liberdade” e terminar meu terceiro livro que será um romance.
Gostou da entrevista com a Lilian e gostaria de concorrer a um livro da autora? Acesse nosso blog e saiba como!
Por Simone Ribeiro
Fotos: Portfolio de Flávio Meyer
Acostumado a interagir com várias técnicas, que vão de trabalhos artesanais ao design gráfico, o fotógrafo paulistano Flavio Meyer pode ser chamado de “virtuoso visual”.
Depois do sucesso de sua primeira Mostra “São Paulo: A Gigante em Miniatura”, em 2011, Meyer se prepara para estrear o novo acervo de "Gigantes em Miniatura", agora com imagens miniaturizadas de Santos, na Pinacoteca Benedicto Calixto, a partir do dia 7 de Fevereiro. Ele nos concedeu uma entrevista em que fala do começo da carreira como fotógrafo, de sua relação com as cidades de São Paulo e Santos, de como a poesia também está inserida em seu trabalho, e claro, dos projetos futuro. Confira!
MA – Quando e como começou o seu interesse por fotografia?
Flavio Meyer – Sendo filho de uma artista plástica, primo de um tatuador e de um ilustrador, sempre tive contato e admiração pelas artes visuais. Desde pequeno gostava de desenhar a mão livre com grafite e lápis aquarelado. Com a popularização dos computadores, passava horas e horas desenhando em softwares rústicos de ilustração digital - o que hoje conhecemos como “Pixel Art”.
Há 8 anos comprei a minha primeira câmera digital. Sem o empecilho dos altos custos da revelação, passei a praticar o tempo todo. Era uma câmera extremamente simples, mas já tinha algumas opções de ajustes que me permitiram entender o básico da ferramenta.
Nesta época atuava como designer em uma agência de publicidade e decidi cursar pós-graduação na Belas Artes. Então, ao mesmo tempo em que estava descobrindo a fotografia, já estava incessantemente me aprimorando em programas de edição de imagens e nos estudos em comunicação visual e arte.
MA – O que te inspira a fotografar ultimamente?
Flavio Meyer – Inspira-me imagens artísticas, visões poéticas, explorar a dramaticidade dos contrastes, a força das cores, registrar detalhes invisíveis ao senso comum, seja em imagens publicitárias, ensaios de moda, cenas jornalísticas, cobertura de eventos ou até mesmo composições abstratas. O que me motiva é esta possibilidade de aliar criatividade e sensibilidade com organização e planejamento.

MA – Em seu trabalho você procura interagir com novas mídias. Como funciona esse processo e que tipo de mídias você utiliza?
Flavio Meyer – Gosto de misturar tudo: trabalhos artesanais, animação digital, edição de vídeo, design gráfico, projeção, e assim por diante. Um bom exemplo foi a experiência que tive com a criação do cenário digital para a peça "O poeta e as Andorinhas", sob supervisão do J.C. Serroni. Chegarmos ao resultado que apresentamos exigiu bastante conhecimento técnico, criatividade e disposição, mas valeu a pena, pois o cenário luminoso deslumbrou o público.
O cenário digital projetado representa uma opção de esplendor estético, que além de eliminar a maioria dos problemas logísticos atrelados à cenografia, ainda reduz dramaticamente os custos de produção e agrega facilidades revolucionárias como a de mudar todo o cenário ao simples toque de um botão.
MA – Fale um pouco das fotos que fazem parte da Mostra “São Paulo, a Gigante em Miniatura”. Como elas foram elaboradas?
Flavio Meyer – Eu cresci nesta cidade com a sensação claustrofóbica de estar sendo engolido pelo concreto. Com o passar dos anos perdi totalmente o horizonte para os novos empreendimentos imobiliários. De qualquer maneira, sempre amei São Paulo pela sua multiplicidade e posição de vanguarda.
Em homenagem ao aniversário de 457 anos de SP, tive a idéia de sobrevoar a cidade e produzir fotos aéreas de espaços públicos míticos como a Avenida Paulista, a Catedral da Sé, o Edifício Copan, a Estação da Luz, o Mercado Municipal, o Museu do Ipiranga, o Estádio Municipal, o Edifício Itália, entre outros. Para intensificar o contraste de escalas, apliquei uma minuciosa técnica de ilusão de ótica que induz o observador a acreditar que está admirando uma detalhada maquete.
As imagens deste acervo buscam subverter esta relação de imponência da cidade diante do homem e restabelecer a sensação de domínio de seu espaço. "São Paulo: A Gigante em Miniatura" foi a minha primeira mostra fotográfica, que aconteceu na IQ Art Gallery, em 2011.

MA – Como foi para você realizar uma Mostra em homenagem à cidade?
Flavio Meyer – Foi muito significativo para a minha trajetória profissional atrelar minha visão artística à história de São Paulo e, sendo minha primeira mostra fotográfica, teve uma repercussão de grandes proporções. Além do reconhecimento do público, a Mostra integrou o Calendário Oficial de Eventos da cidade e suas obras foram incorporadas ao acervo vitalício da Biblioteca Municipal Mario de Andrade.
MA – Desde quando trabalha com Tilt-Shift?
Flavio Meyer – Desde a primeira vez que tive contato com uma imagem miniaturizada, há uns 5 anos, e fiquei completamente encantado. Na mesma hora, tentei reproduzir aquele efeito e não sosseguei até conseguir o resultado desejado.
Quando achei que já tinha dominado bem a técnica de ilusão de ótica comecei a querer buscar algo mais, então passei a agregar alguns truques que trouxe das minhas experiências de edição com publicidade, e a incorporar elementos simbólicos e personagens históricos que se revelam apenas aos olhares mais atentos.
MA – Incluir as fotos de Santos ao acervo dos "Gigantes em Miniatura" teve algum significado especial?
Flavio Meyer – Santos é bastante especial para mim, por diversos motivos. Parte da minha família já morou ou ainda mora na cidade, onde passei grande parte da minha infância descobrindo deslumbrado muitos dos pontos que escolhi para serem retratados nesta minha nova mostra.
O Monte Serrat, a Vila Belmiro, a Bolsa do Café, a igreja do Embaré, o Valongo, a Prefeitura, a Ponte Pênsil, o Porto, entre outros, além de ter seu valor histórico, cultural e econômico para a cidade, e alguns deles até uma importância vital para o país, também têm uma ligação lúdica direta com as minhas vivências da infância.

MA – Além de fotógrafo você também é poeta. De que maneira você acha que essas duas artes se complementam?
Flavio Meyer – Sempre fui um grande admirador de poesia e por algumas vezes me arrisquei a escrever, procurando sempre experimentar novas construções textuais. Estas duas artes são complementares na medida em que possuem distintos alcances aos nossos sentidos. A imagem atua justamente onde a palavra perde alcance, e vice-versa.
MA – Quais são os planos para 2012?
Flavio Meyer – No dia 7 de fevereiro apresento o novo acervo de "Gigantes em Miniatura", com as imagens de Santos miniaturizadas, na Pinacoteca Benedicto Calixto às 19h, estão todos convidados! A Mostra permanecerá em exibição até o dia 27 de fevereiro.
Pretendo continuar circulando com os acervos de Santos e de São Paulo em diferentes espaços, propiciando a interação com diferentes públicos, assim como apresentar novas obras destas e de outras regiões do Brasil. O acervo do Rio de Janeiro Miniaturizado, por exemplo, já está em fase de negociação de espaço expositivo.Aproveito a oportunidade para agradecer aos meus apoiadores, Estação Santos Eventos, SDTE Technologics, Fusão Impressão Digital e ao Santos e Região Convention & Visitors Bureau.
Para saber mais acesse o site de Flavio Meyer.

Por Simone Ribeiro
Fotos: Juh Guedes e Maurício Ito (foto3)
Me desculpem os entusiastas do rock nacional atual, mas não é todo dia que você encontra uma banda que além de fazer música boa, não abre mão da qualidade na produção de videoclipes e outros materiais de divulgação e ainda arranja tempo para tocar pelo Brasil a fora.
Pois saiba que a banda Zebra Zebra é um bom exemplo a ser ouvido e seguido. A banda de São Vicente que é composta por Kennedy Lui (vocal e guitarra), Paulo Jotaerre (baixo), Eric Santos (guitarra e vocal) e Marcelo Toth (bateria) passeia pelo rock alternativo com influências de hardcore e até de samba-rock. Conversamos com o vocalista Kennedy Lui para saber um pouco mais sobre a trajetória de destaque da Zebra Zebra no cenário underground nacional.
MA – Antes da Zebra Zebra acontecer vocês já tocavam juntos, na banda Same Joke. Do hardcore ao som atual, dá para dizer que a Same Joke foi uma espécie também de aprimoração do som que fazem agora?
Kennedy Lui – O Same Joke foi o nosso tubo de ensaio. Foi onde tudo começou de fato. Onde rolaram os primeiros shows. Onde aprendemos, onde era legal ensaiar, como perder o medo do palco, como falar com o público e todas as lições que só quem tá na estrada aprende. Naquela época o som era influenciado pelo hardcore, punk e post-punk. No Zebra Zebra ainda carregamos essas influências, mas com outras que foram surgindo.
MA – Uma pergunta clichê, mas que não poderia faltar até porque eu gosto bastante do nome da banda. Como surgiu a ideia do nome Zebra Zebra?
Kennedy Lui – Chegamos num momento que ter um nome em inglês para uma banda que só cantou em português, com influências de música brasileira, era como dar um tiro no pé. Em 2007, quando mudamos o nome, tocávamos com camisetas listradas e gostávamos da palavra Zebra.
Mas já existe uma banda no Canadá com o nome Zebra. Então começamos uma busca por uma segunda palavra que mantivesse o espírito da proposta e tivesse uma sonoridade bacana. Num estalo, daqueles que falam "HEY! Isso tá debaixo do seu nariz", surgiu a segunda palavra: ZEBRA. Assim nasceu o nome Zebra Zebra. É um nome curioso. É isso que queremos mesmo.
MA – Vocês lançaram o EP “Agora é que são elas”, em 2011. Como está sendo a repercussão desse trabalho?
Kennedy Lui – Até agora as resenhas publicadas foram bem positivas. E com esse disco conseguimos ampliar nossa gama de fãs. As músicas têm letras e vocais mais melódicos, instrumental melhor produzido. Isso tudo tem ajudado a destacar nosso trabalho. Pessoas do Brasil todo baixam, espalham, criticam, elogiam. O EP tá fazendo um barulho bom. Gostoso de ouvir.
MA – No perfil de vocês, no site da Trama, o “bom novo e velho rock and roll, música brasileira e artes louváveis” são as influências da banda. Quais seriam essas influências em geral?
Kennedy Lui – Gostamos do rock alternativo, novas bandas, além de bandas clássicas. Vamos de Queens of the Stone Age, Kings of Leon, Minus The Bear a Ramones, Beatles, At the Drive in. Curtimos muito a criatividade e ginga da música brasileira como Jorge Ben, Tim Maia, Wilson Simonal, Trio Mocotó, Tom Jobim, Emicida, Los Hermanos. Sobre as artes louváveis, queremos dizer que não é só música que inspira a fazer novas músicas. Um bom filme, uma exposição legal, um clipe, uma ilustração. Tudo isso nos influencia também.
MA – Como funciona o processo de composição. O que inspira as letras da Zebra Zebra?
Kennedy Lui – Geralmente eu, Kennedy, que escrevo as letras. Mas isso não é uma regra. Já tivemos letras que o Eric escreveu, uma que eu e o Leonardo (ex-baterista) escrevemos juntos. Acabo fazendo a maioria porque é uma coisa que gosto muito. Vivo escrevendo anotações em pedaços de papel e vou juntando as ideias. As inpirações vêm de experiências vividas ou de personagens que crio. Faço com que esses personagens escrevam as letras também.
Já na parte instrumental, alguém traz uma ideia bacana de melodia e todos trabalhamos juntos até ter a cara da banda. Não temos regras para compor, mas procuramos ter um padrão de direção, que primeiro tem que nos agradar e surpreender antes de levarmos pro público.
MA – Vocês também são reconhecidos por fazerem vídeos conceituados e premiados como “Já dizia minha vó” e “Dois Copos D`agua”, além de produzir curtas como o “Mondo Cane”, com projeção internacional. Como surigiu esse interesse pelo audiovisual?
Kennedy Lui – O interesse veio da minha experiência profissional. Já trabalhei em produtoras de cinema e publicidade como editor e assistente de direção. Conheci profissionais bacanas, que sempre nos ajudam nas nossas produções. Gostamos de produzir clipes e curtas.
É tão divertido quanto gravar uma música nova. E quando é feito com amigos talentosos, melhor ainda. Acho que toda banda tinha que produzir clipes pras melhores músicas. Isso aumenta o tempo de vida da música no gosto da maioria das pessoas. É uma ferramenta importantíssima.
MA – Falando ainda sobre isso, a banda lançou o desafio de arrecadar recursos para a produção do vídeo para a música “Bonita”. Como funciona esse projeto e como está sendo a aceitação do público?
Kennedy Lui – Por mais que o Zebra Zebra consiga produzir bons vídeos a baixo custo eles ainda saem caros. Uma banda independente está longe de ser uma empreitada rentável. Conhecemos o Catarse, maior plataforma de crowndfunding no Brasil, e curtimos muito a ideia de financiamento coletivo. Funciona basicamente assim: o artista envia um projeto sem fins lucrativos, esse projeto passa pela aprovação do site, assim que publicado as pessoas podem colaborar com uma quantia mínima de R$10.
Quem colabora recebe recompensas exclusivas.
No nosso caso, para o projeto do clipe Bonita, estamos arrecadando R$3000. As pessoas que apoiarem com pelo menos R$ 30 começam a receber as recompensas que vão desde CD autografado, camiseta exclusiva para apoiadores, link para assistir o vídeo antes de todo mundo, nome nos créditos, participar como figurante do clipe, acompanhar os bastidores, picnic com a banda, cantar uma música no nosso show e até um jantar feito pelos integrantes da banda.
Uma coisa que é legal ficar clara é que o site é super seguro. O pagamente é via Pay-Pal, aceita cartão de crédito, depósito, boleto. E caso o projeto não seja financiado (o prazo acaba dia 1 de fevereiro) o dinheiro de todo mundo é devolvido. Essa quantia R$ 3000, não vai pagar todos os custos do clipe, mas já vai ajudar bastante. Todo mundo sai ganhando. De verdade.
MA – A Zebra Zebra tem um público fiel na Baixada Santista, mas a banda também já ganhou projeção nacional. Como estão sendo os shows pelo Brasil? Podemos esperar uma turnê maior do “Agora que são elas” pelo país em 2012?
Kennedy Lui – Às vezes, quem tá de dentro do trabalho não tem noção real da resposta do público. Mas temos conseguido fazer shows com um público bom em Santos e São Paulo. Já tocamos em Curitiba, Fortaleza, interior de São Paulo e a resposta é sempre muito bacana. As pessoas que vão sabem cantar nossas músicas, já tem camiseta, CD. No começo de 2011 fizemos um show em Fortaleza e tinha gente que foi no festival exclusivamente para nos ver. Gente que nos conheceu por conta dos nossos clipes na MTV, blogs e etc. Não somos populares como astros do pop, mas temos um respeito considerável para uma banda independente com um som alternativo.
A ideia de uma tour em 2012 seria maravilhosa. Em dezembro tocamos praticamente todos finais de semana já com o repertório novo. Em Janeiro tocamos em Maresias para um projeto da RayBan. E temos propostas para Rio de Janeiro, Goiania, São Paulo e Curitiba. Adoramos viajar para tocar. E a ideia é essa mesmo. Botar o som do Zebra Zebra no máximo de palcos diferentes do Brasil. Não é fácil, mas é prazeroso.
MA – Aliás, quais são os planos da Zebra Zebra para 2012?
Kennedy Lui – Temos o ousado objetivo de produzir um clipe para cada música do EP "Agora é que são elas". Já fizemos o Dois copos dágua e em fevereiro vamos fazer o Bonita. Lançaremos o EP em vinil e vamos seguir tocando e compondo. Não podemos deixar a peteca cair.
Mídia Expressa com Kennedy Lui da banda Zebra Zebra
- Uma música que não é da banda, mas que vocês gostam de tocar no ensaio: Bom senso - Tim Maia
- Um videoclipe que gostaria de ter produzido: 99 problems - Jay Z
- Um show memorável da banda: Show de lançamento do cd "Cabeças novas também mofam" 01/03/2009 na Cadeia Velha em Santos.
- Um guru do audiovisual: Michel Gondry e Spike Jonze
- Uma premiação inesquecível: Todos os prêmios do Curta Santos foram maravilhosos. Mas ter conseguido a premiação do concurso do Spoleto foi demais. Vamos realizar o sonho de ter nosso disco em vinil. Isso é um privilégio.
- Uma banda que não sai da sua vitrolinha: Jorge Ben e Beatles
Saiba mais sobre a Zebra Zebra pelo site, twitter e facebook da banda.
Confira o videoclipe da música Dois Copos D’água:
A eminência do fim e a fragilidade humana: Melancolia
Por Raissa Daguer
Fotos: Divulgação
Com uma mistura peculiar de drama e ficção científica, Melancolia não nos transporta para o otimismo. Nesse filme, a tristeza não tem fim e a felicidade nem sequer dá as caras. Mas nem por isso deixa de ser uma película arrebatadora.
Adotando um visual elaborado, inspiração em pinturas alemãs e uma trilha sonora magnífica, Lars Von Trier mais uma vez argumenta contra utopias e as regras sociais.
Desta vez nem o mundo se salva, já que a história concentra-se no iminente choque da Terra com um planeta de nome “Melancolia”.
Mesmo com a temática clichê de fim dos tempos, muito utilizada na ficção científica, o filme pode ser ponto de partida para indagações ainda significativas, como “Estaremos sozinhos no universo?”, “Preferimos uma vida suavizada pela mentira?” ou “Preferimos uma existência melancólica, em virtude da verdade que não pode deixar de ser encarada?”, além de apresentar uma abordagem nova.
No mundo de Melancolia, não há segurança familiar, amorosa, institucional, cultural, artística e monetária. Toda a visão niilista da vida e das relações humanas pode ser representada pelas personagens principais, as irmãs Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg).
O novo trabalho do cineasta dinamarquês começa em slow motion, como se fosse uma introdução de tudo o que está para acontecer. A primeira parte do filme é dedicada a Justine, enquanto a segunda é da Claire.
Na primeira parte, Justine está em seu casamento, mas não consegue esconder as dúvidas quanto à decisão – ao mesmo tempo em que a discussão entre os pais divorciados da moça começa a desmanchar as aparências que Claire, organizadora da cerimônia, luta tanto para manter.
Assim como o resto do mundo, a família de Justine acredita que “Melancolia” não vai colidir com a Terra, mas nada consegue mascarar a certeza da moça. Como se fosse porta-voz do próprio diretor, Justine desiste do casamento e chega a garantir a Claire que não há vida em outros planetas, que os humanos estão sozinhos no universo.
Porém o fim do mundo é apenas o cenário para uma história focada na condição humana, onde as duas irmãs simbolizam a ambiguidade da espécie. Se por um lado Claire é racional e adaptada às convenções sociais, Justine é insatisfeita e insegura. Se não fosse o apocalipse, o mundo das duas também estaria fadado à destruição.
O filme é genial pelo fato de não seguir as linhas de pensamento que foram implantadas em nossas mentes. Melancolia não adota o pensamento de Scopenhauer – já que não há redenção e a negação da vontade – e também não segue a linha de Nieztsche, pois em um planeta que é essencialmente mal, assumir a vontade e criar valores também não adianta a natureza humana em nada.
A película mostra que, no fundo, nossa existência é a melancolia que pressentimos a todo o momento, mas que tentamos negar, com a arte e a (frágil) estabilidade de instituições. Justine é, ao mesmo tempo, aquela pessoa desenganada e perfeitamente consciente, por isso fica em um estado contínuo de melancolia – o que acaba destruindo as poucas situações em que a fantasia tenta ganhar espaço, como o casamento.
A grande reflexão é se, ao saber da verdade, nós a negaríamos por não conseguir encará-la de frente, ou como seria a existência humana se todos tivessem o dom de Justine e soubessem da verdade – mas não pudessem escondê-la através de mantos das instituições.
Sem dúvida, Melancolia é um filme imperdível e impecavelmente dirigido.
Confira o trailer:
Por Mariana Keller
Fotos: divulgação
Atualmente está cada vez mais fácil se tornar um fotógrafo, mesmo que amador. As inúmeras funções das câmeras digitais modernas prometem fotos belíssimas em alta qualidade, fazendo com que o número de pessoas que se aventuram nessa arte aumente consideravelmente.
Mas não são somente os recursos das câmeras digitais que estão chamando a atenção. Um fenômeno fotográfico produzido por um tipo de câmera analógica de alta sensibilidade é a mais nova moda no meio fotográfico. Capaz de registrar cor e movimento sem precisar usar o flash e sem deformar a foto, a técnica chamada Lomografia tem feito bastante sucesso e ganhado cada vez mais espaço.
O processo é simples. O sistema de exposição é automático e consiste numa recepção contínua de luz que pode durar até 30 segundos. Os efeitos variam conforme a lente e o modelo da máquina. Um tipo bastante famoso de lente é a “olho de peixe” que deixa as fotos com um aspecto circular.
As lentes das câmeras Lomo são sempre de plástico e são elas as responsáveis pelos efeitos artísticos produzidos nas imagens. Assim como suas fotos, as máquinas também costumam ser bem coloridas e com um formato mais vintage.
E para quem pensa que a “Lomomania” começou agora, está completamente enganado. A técnica começou a fazer sucesso em 1991, em Praga, capital da República Checa, quando dois jovens de Viena, que foram passar as férias no país, descobriram a máquina.
Fotografavam tudo o que viam pela frente e conseguiram encantar a todos com as imagens produzidas. O sucesso foi tanto, que espalhou a moda por toda a cidade, e mais tarde, alcançou outros países.
Com o objetivo de impedir o desaparecimento dessas máquinas, em 1995, foi criada, em Viena, a Sociedade Lomográfica e a primeira LomoEmbaixada. A Sociedade é responsável por afirmar o valor artístico da Lomografia e para isso já organizou a venda de Lomos em diversos eventos culturais como cinema, musicais e exposições.
Além disso, os lomógrafos criaram dez regras básicas para qualquer pessoa que quiser se aventurar nesse mundo.
1. Leve a sua Lomo para onde for.
2. Fotografe a qualquer hora do dia ou da noite.
3. A Lomografia não interfere na sua vida, é parte dela.
4. Aproxime-se o mais possível do objeto a ser fotografado.
5. Não pense.
6. Seja rápido.
7. Você não precisa saber antecipadamente o que vai fotografar.
8. Nem posteriormente.
9. Não fotografe com os olhos.
10. Não se preocupe com as regras.
Lomografia veio para mostrar o imprevisível registrado na fotografia. Nada é encenado ou produzido. As fotos nos mostram o próprio cotidiano e as surpresas que ele pode trazer. Os efeitos artísticos fazem com que essas imagens, que aparentemente seriam simples, ganhem um conceito mais surreal em que podemos abusar da nossa imaginação.
Mas, pensando assim, lembramos de Henri Cartier Bresson, o famoso fotógrafo francês, que antes mesmo de surgir a Lomo, já era completamente apaixonado pelo cotidiano. Ele também registrava momentos que a primeira vista passariam despercebidos ou pareciam simples a um primeiro olhar. Mas, sua sensibilidade transformava esses momentos em belas imagens sem qualquer modificação. Isso nos faz questionar, afinal o que realmente importa, o olhar ou os recursos da câmera?
Confira mais imagens em lomografia:


A Contribuição de Eisenstein Para a Evolução da Montagem Cinematográfica
Por Jessica Sardinha
Fotos: Divulgação
Serguei Mikhailovitch Eisenstein nasceu na cidade de Riga na Letônia em 23 de janeiro de 1898, oriundo da classe média foi fazer faculdade de Engenharia Civil e Arquitetura.
Durante seu tempo livre, ainda na adolescência, Eisenstein se dedicava aos estudos de Russo, Inglês, Francês e desenho, além de estudar em uma espécie de curso preparatório para a faculdade de engenharia. Estudou também arte da renascença e frequentou as produções teatrais vanguardistas de Meyerhold e Yevreinov.
Em 1918, se alistou ao Exército Vermelho (exército da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, criado para defender o país durante a guerra civil russa) E durante esse período de milícia Eisenstein se dividia entre seus afazeres de soldado e ao estudo pleno de psicologia, teatro, filosofia e linguistica.
Em 1920, Eisenstein abandonou o exército e ingressou na Academia Geral de Moscovo, onde se juntou ao Teatro dos Trabalhadores Proletkult como desenhista de cenários e de guarda-roupa.
E assim, ano após ano, Eisenstein foi se aproximando cada vez mais do seu destino.
Após estudos aprofundados sobre as obras de Griffith (de O Nascimento de uma Nação) e sobre as experiências de montagem de Kuleshov (inventor do efeito Kuleshov) Eisenstein, que até então não era considerado um teórico do cinema, faz seu primeiro curta: O Diário de Glumov e após mais alguns trabalhos lança seu manifesto “Perspectivas” como consta no site Cine Clube Loca.
“Através do manifesto “Perspectivas”, Eisenstein propõe a justaposição de imagens como uma maneira de expressão. Além disso, fez experimentos na linha de Pavlov, utilizando os recursos materiais do filme para explorar a biomecânica, como uma espécie de “espontaneidade condicionada”, testando a reação dos expectadores. Também introduziu a idéia de que o efeito provocado pela justaposição de imagens é maior do que a soma destas imagens, por isso valorizava tanto as montagens, introduzindo os pensamentos da dialética de Hegel nas suas produções e foi ele o grande construtor de conceitos abstratos partindo de elementos concretos.”
Juntamente com seu manifesto Eisenstein lança o célebre “O ENCOURAÇADO POTENKIM”, filme de 1925 qual foi pioneiro em vários sentidos.
É o primeiro filme da história a fazer uso de efeitos especiais, usou contrastes e relações de corte, contrastes e montagem que ainda hoje servem como base para a realização de filmes experimentais.
Eisenstein diz que as leis de construção do discurso interior são base para a construção das leis e das formas que regem a composição das obras de arte. Isso porque toda criação formal se baseia num processo de pensamento por imagens sensoriais. A noção inicial de dado tema é traduzida para uma cadeia de imagens sensoriais.
Usando a montagem dialética (criada por David Griffith) e aprimorando-a “Eisentein interpreta a dualidade da montagem paralela de uma outra forma, onde o resultado do choque entre planos é o ponto fulcral e não as imagens isoladas per se. Utilizando os termos originais da dialética hegeliana e da marxista, os dois primeiros planos, enquanto tese e antítese respectiva, originam uma síntese, criada individualmente na mente do espectador.” (VIVEIROS,Paulo, Portugal-2003)
O apelo estético e sentimental da montagem dialética de Eisenstein, iniciou o sistema de “montagem cinematográfica” (processo que consiste em selecionar, ordenar e ajustar os planos de um filme ou outro produto audiovisual a fim de alcançar o resultado desejado - seja em termos narrativos, informativos, dramáticos, visuais, experimentais, etc) e revolucionou todos os movimentos cinematográficos, e é amplamente usado todos os dias em todas as produções, pois é a partir daí que se constrói a narrativa cinematográfica atual.
Considerado o “pai” da Montagem cinematográfica, Sergei Eisenstein foi o precursor do Cinema como conhecemos, sendo considerado objeto de estudo por todas as Escolas Cinematográficas, tendo seus filmes e apelo visual estudados por Vertentes da Psicologia, Publicidade e tantas outras áreas do saber.
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