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Homenagem: Dia do Escritor
31/07/2010

diadoescritor3Dia do Escritor: Celebrando a palavra


Escritores e leitores reuniram-se em uma confraternização especial para comemorar a data   


Por Vivian Giuzio (@viviangiuzio)


Fotos: Priscila Nascimento


Imagine participar de um evento onde a atração principal é a palavra? É isso mesmo! Uma comemoração voltada para a celebração da palavra. Este foi o objetivo do primeiro encontro literário para comemorar o Dia do Escritor, que aconteceu no Café Teatro Rolidei, exatamente no mesmo dia em que a data é celebrada nacionalmente.


O encontro realizado pelas escritoras Madô Martins e Regina Alonso, é uma confraternização entre leitores e escritores para celebrar o dia. A data que foi instituída por decreto governamental em 1960, nunca havia sido festejada em Santos, por este motivo, as duas profissionais resolveram tornar o Dia do Escritor uma celebração especial, lembrada por todos na cidade.diadoescritor1


A confraternização reuniu no Espaço Sociocultural Rolidei cerca de 160 pessoas. Estiveram presentes escritores de toda a região. “Pretendemos que a data se torne um encontro anual, com estrutura ainda melhor, mais participantes e mais atrações”, comenta a escritora e jornalista Madô Martins, idealizadora do evento, já sonhando com a próxima edição no ano que vem.


A importância de uma confraternização como esta, coloca os escritores da Baixada em uma história onde eles são os personagens principais. Assim, em meio a este delicioso e descontraído encontro, podem trocar experiências, expor idéias e até mesmo buscar inspiração para uma futura obra.


“Nossa região tem um número grande de autores que mal se conhecem. Uma confraternização assim dá oportunidade para aumentar sua visibilidade, expor o que pensam, trocar experiências, mostrar sua obra, debater a carreira literária e também, atrair a atenção do público e das editoras”, ressalta Madô.


Durante o encontro foram realizadas várias atividades, como o púlpito, onde os escritores puderam dar voz às letras e expressar seus sentimentos em poesias, versos e citações. Outro destaque foi a bancada de livros. Os autores deixaram suas obras à venda e ficaram a disposição dos leitores para autógrafos.diadoescritor4


Para compor o cenário, a festa literária contou com apresentações musicais e teatrais, entre elas, estava o Grupo Orgone de Arte. As ações ocorridas paralelo ao evento foram mais um motivo de inspiração aos escritores, agraciados também, por uma noite linda onde a lua deu o ar da graça.


Também foram distribuídos botons com a frase “Penso, Logo escrevo”, um lema levado à risca pelos amantes da palavra.


A primeira edição do Dia do Escritor foi aprovada por todos que puderam conferir de perto a confraternização. Agora, fica a ansiedade pela próxima edição que ainda não tem data definida, mas com planos para ser realizada sempre próxima ao dia 25 de julho, data oficial do Dia Nacional do Escritor.


Uma apaixonada pela escrita


Amante da escrita, a escritora e jornalista Madô Martins tem um extenso currículo que explica o porquê de sua iniciativa em comemorar o Dia do Escritor. Para ela, as suas duas profissões se completam, porque lidam com a mesma matéria-prima, que é a palavra. “O jornalismo me ajudou a definir um estilo enxuto e objetivo, enquanto a literatura oferece uma outra visão de mundo, mais lírica, mais contemplativa. Mas ambos convidam à prática da observação e da crítica e tenho igual prazer, ao exercer um e outra”, justifica.


diadoescritor2Formada há 39 anos, Madô carrega consigo a experiência de quem já atuou em importantes veículos como Cidade de Santos, sucursal de O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde, Agência Estado e Secretária de Comunicação da Prefeitura Municipal de Santos.


Na literatura, Madô teve seu primeiro trabalho publicado em 1986, depois disso nunca mais parou. Foi premiada em vários concursos literários no Brasil e em Portugal e lançou oito livros de prosa e verso. Além disso, realiza oficinas literárias. Hoje, já aposentada, colabora como cronista para o jornal A Tribuna.

Educafro: gente que faz história
31/07/2010

educafro2Uma história que simboliza a luta do Educafro


Por Michel Carvalho


(@michelcarvalhos) *


Fotos: acervo pessoal de Alessandra Martins Gonçalves


A trajetória da bancária Alessandra Martins Gonçalves, 33 anos, está diretamente ligada à  missão do projeto Educafro (Educação e Cidadania para Afrodescendentes e Carentes), que atua há dez anos na Baixada Santista. De origem humilde, Alessandra contou com a ajuda da entidade para superar as dificuldades e se tornar uma profissional bem-sucedida. A jovem negra que era funcionária de um supermercado, hoje trabalha numa grande instituição financeira, servindo de exemplo para todos que sonham em construir um futuro melhor.


Em 2000, Alessandra conheceu o projeto Educafro por uma amiga que a incentivou a fazer o curso pré-vestibular. Ela estudava no Núcleo Santos (conhecido hoje como Quilombo Pai Felipe) que funcionava no Sindicato dos Urbanitários. A bancária trabalhava em um supermercado e só assistia às aulas no período da manhã. Mesmo assim, teve a chance de aprender muito com os professores que não se limitavam ao conteúdo das disciplinas, mas também eram grandes incentivadores. “Eu só precisava de uma oportunidade e em 2001 fui contemplada com uma bolsa de estudos para o curso de Administração de Empresas na Unisantos”.


Como toda bolsista, Alessandra teria que ajudar nas atividades do núcleo que funcionava aos sábados. Mas como estudava de segunda a sábado e só tinha uma folga por semana no supermercado, era impossível cumprir as tarefas exigidas pela Educafro. “Então, no término do primeiro ano, eu vi o sonho da faculdade chegar ao fim com a possibilidade de perder a bolsa devido à falta de prestação de trabalho voluntário. Nessa época, meu pai estava desempregado, minha mãe trabalhava em casa e eu não tinha condições de sair do serviço”, relembra.


O apoio da família foi fundamental para que Alessandra pudesse continuar. Seu pai decidiu assumir o trabalho voluntário. Ele preparava o café-da-manhã para os alunos no núcleo todos os domingos e participava das reuniões mensais. Isso aconteceu até o último ano da faculdade, quando a bancária deixou o supermercado para fazer estágio no Banco do Brasil e começou a auxiliar na coordenação do núcleo. 


Não foi fácil para Alessandra conciliar trabalho, faculdade e Educafro. “O cansaço era grande porque eu chegava do trabalho muito tarde e tinha que acordar cedo para ir para a faculdade e de lá direto para o serviço”. Outra grande barreira foi a questão financeira. A bolsa que no início era de 100% chegou a 80%, sendo que para mantê-la, era preciso manter um bom desempenho acadêmico.  


Após terminar o curso, Alessandra enfrentou o drama de muitos recém-formados - diploma na mãoeducafro1 e desempregada. Ela então começou a prestar concursos públicos, quando foi aprovada na Prefeitura de Praia Grande onde trabalhou como agente administrativo. Apesar de ter estabilidade no serviço público, a bancária não se sentia realizada profissionalmente. “Percebi que só a graduação não era suficiente para obter uma boa colocação no mercado de trabalho, precisava estudar mais. Então, fiz uma especialização e também um curso de capacitação para o mercado bancário onde fui encaminhada para o processo seletivo em um grande banco e acabei sendo contratada”.


Alessandra representa uma minoria no setor bancário. Embora no Brasil metade da população seja composta de negros e pardos, nos bancos eles são somente 19%, segundo o Mapa da Diversidade Bancos, pesquisa da Febraban (Federação Brasileira de Bancos). A situação da mulher negra é ainda mais grave, ocupando apenas 8% dos postos de trabalho do ramo. 


Por falar nisso, a diversidade étnica no mercado bancário foi o tema da monografia de Alessandra na pós-graduação. Ela afirma que o setor bancário é um dos setores de atuação mais elitizados em que há poucos negros contratados, exceto nos cargos de limpeza e vigilância. “Enfrentei muitas barreiras, pois o mercado de trabalho além de competitivo é muito influenciado pelas redes de relacionamento. Então, você precisa estudar muito e ter muita garra para mostrar que a sua cor e a sua condição financeira não interferem na capacidade profissional de ninguém”. 


Alessandra, que é responsável pelo setor universitário na Baixada Santista, fala que o Educafro foi o lugar onde aprendeu a lutar pelos seus direitos e valorizar seu potencial. Para ela, o grande desafio do projeto é a realidade social dos alunos que na maioria são desempregados, sofrem discriminação no trabalho e não têm acesso a um ensino de qualidade. “É preciso um trabalho intenso de cidadania para resgatar a autoestima dessas pessoas”, confessa. 


A bancária finaliza, deixando um recado para aqueles que querem dar uma guinada na vida. “Às vezes, temos que parar, contornar um obstáculo, mesmo que o percurso fique mais longo. O importante é concluir o trajeto com a satisfação de missão cumprida e sair em busca de novos objetivos”. 


(*) Michel Carvalho é jornalista e editor do blog Mídia Cidadã

Cyber Garagem: Snops
31/07/2010

snops-boaSnops: os peludos sem nome


Por Lana de Oliveira (@llana_braga) 


Formada em 2008, a banda paulista Snops nasceu como um hobby, uma diversão entre amigos que gostavam de tocar juntos e interpretar músicas das suas bandas favoritas. Conta com Fábio na voz, Filipe e Marcão nas guitarras, Danilo na bateria e Jair no baixo.


A banda se autodefine como um pop-rock, com influências bem pessoais, indo de Red Hot Chili Peppers até Radiohead. O repertório passa por interpretações nacionais e gringas, de bandas como Paralamas do Sucesso, Jota Quest, Capital Inicial, Barão Vermelho, Coldplay e Pearl Jam, entre outros.


A maioria das músicas nos shows obedecem ao gosto da plateia que muitas vezes é quem monta o setlist com pedidos ao vivo, característica interessante e arriscada, mas que a banda tira de letra, pois o intuito é garantir a diversão de quem está conferindo a performance do grupo.


Em São Paulo, o Snops já passou por casas como Gigalê e Fidalga 33. Essa última, celeiro de bandas que procuram alguma visibilidade no mercado, ou simplesmente mandar um som de qualidade no palco.


Após a boa receptividade do público, o Snops alça voos maiores e lançou sua primeira demo este ano, com o mesmo título do nome da banda. A demo conta com gravações de músicas que tiveram maior retorno do público nos shows e também é uma forma de divulgar o trabalho em bares e pubs.


Ouvindo o som do Snops no Myspace e vendo as performances no Youtube, o que se pode perceber é que os caras mandam muito bem num cover à altura dos originais, com interpretações muito bem feitas e com arranjos cuidadosos.


Prova disso é ver a banda interpretando Creep, mostrando ousadia e competência tocando uma das clássicas e mais aclamadas do Radiohead ou mesmo com Yellow, do Coldplay, com uma levada menos nervosa da banda, diminuindo o som das guitarras.


Snops pode parecer um nome estranho para uma banda, mas o significado dessas cinco letras tem um sentido, digamos, um tanto irreverente, como conta um de seus integrantes, o baixista Jair Alves, em entrevista para o MA.


MA - Como não podia deixar de ser, a pergunta clássica que inicia qualquer entrevista de banda: por que e o que significa SNOPS?


Jair - Bom, na verdade é uma sigla, que vem de uma longa história. Resumindo: há algum tempo atrás, não tínhamos nome, porém precisávamos de um, e o Fábio (vocalista) sugeriu OS PELUDOS. Mas o nome era muito ruim, e resolvemos não adotá-lo. Porém com a dificuldade de encontrar um nome, resolvemos deixar como Sem Nome: Os PeludoS. Pegando as iniciais, fica SNOPS (risos).


snops_foto02MA - Como o pessoal da banda se conheceu e quais já tocaram em outras bandas?


Jair - Bom, O Fábio e o Filipe moram na mesma rua, então se conheciam de longa data. O Marcos eu não lembro até hoje como conheci, ele brotou um dia no meu MSN daí descobrimos que tínhamos a musica em comum, e conversávamos de vez em quando. Depois de alguns anos, ele se juntou ao Filipe e o Fábio e me convidou para fazer parte da banda. Estávamos precisando de um baterista, e eu convidei o Faccio (que na época tocava comigo em outra banda da região de Osasco) a fazer parte da turma.


MA - A primeira demo segue a linha dos shows da banda, ou músicas próprias?


Jair - A gente gravou algumas músicas que gostamos e que achamos que passam uma energia, algum sentimento para as pessoas durante nossas apresentações, e soltamos em bares e pubs para divulgar nosso trabalho. Tocamos covers de bandas de pop/rock dos anos 80, 90 e 00, e não temos músicas próprias, porém temos a intenção de um dia começar a compor. A gravação pode ser conferida na íntegra no MySpace da banda.


MA - Hoje em dia parece ser muito mais fácil a divulgação das bandas independentes, mas o retorno financeiro é difícil e a concorrência é cada vez maior. A banda é um hobby, mas há a intenção de se transformar em profissão principal?


Jair - Todos nós temos empregos paralelos à banda, e não temos a intenção de largá-los por enquanto. Eu, o Marcos, e o Faccio trabalhamos com TI. O Fábio trabalha com administração, e o Filipe em uma escola de inglês. Ainda não conseguimos e nem temos a pretensão de viver de música. Posso dizer que é um hobby que levamos a sério, mas, um dia se acontecer e tivermos sorte, quem sabe? 


MA - Como vocês classificam o som da banda?


Jair - Nosso repertório é pop e é rock, mas tocamos de tudo, inclusive reggae.  Fazemos algumas versões de musicas pop dos anos 80, procuramos pegar um pouco de tudo, pois todos da banda são muito ecléticos. Considero a gente uma salada musical mesmo, mas o nosso foco é o pop-rock.


MA - Além das influências mais conhecidas, cite outras influências menos conhecidas mas que fazem parte do gosto musical de vocês.


Jair - Cada um da banda tem um gosto pessoal diferente e tentamos trazer isso para dentro da banda, como um diferencial. Mas no geral, sinto que temos uma influência muito forte de punk, e rock’n roll mesmo. Nos sentimos em casa quando tocamos Faith no More, Red Hot Chili Peppers, Jota Quest, entre outras.


snops_foto03MA - Vocês classificam o som de vocês como cover ou são interpretações particulares da SNOPS de músicas conhecidas?


Jair - Nossa principal proposta é a fidelidade sonora, porém sempre que sobra algum tempo nos ensaios tentamos botar a cabeça para funcionar e fazer uma versão de alguma música. Fizemos releituras de algumas músicas como Enjoy the Silence, do Depeche Mode.


MA - Quais os locais mais bacanas que vocês já tocaram e quais não tocaram ainda, mas gostariam?


Jair - Nós gostamos bastante de tocar em lugares que enchem sempre (risos). É animal tocar com a casa cheia. Normalmente isso acontece na Vila Madalena, em SP. Sobre os lugares que gostaríamos de tocar, acho que seria interessante tocar fora da cidade, no litoral, por exemplo. Todos nós vivemos cogitando essa hipótese.


MA - Quais os planos futuros?


Jair - A principal meta futura é se consolidar na noite de SP, levando sempre o melhor da música pra galera nas baladas e bares. E cumprir nossa missão, que é não deixar ninguém parado enquanto tocamos.


Acompanhe a banda no MySpace e Twitter.


Contatos para show: contato@bandasnops.com.br


Confira uma das performances do Snops:

O encontro de Florbela e Pessoa
31/07/2010

Florbela e Pessoa2Sob a luz de uma vela, Florbela e Pessoa conversam em poesia


Por Andressa Luzirão


O pavio da vela é aceso dando vida ao universo dos poetas Florbela Espanca e Fernando Pessoa, como se o milagre da ressurreição se materializasse em prosa e verso. Esses dois portugueses que nasceram no final do século 19 se ‘encontraram’ pela primeira vez no último dia 20 (eles não se conheceram em vida!), na oficina literária ‘Diálogos - Uma Fantasia’, realizada pela Associação Projeto Tam Tam.


O encontro surreal da literatura conhecida em todo mundo ocorreu em um espaço também fora do comum, o Café Teatro Rolidei, em Santos-SP, e quem ‘marcou’ esta visita com direito a um diálogo fantasia costurado poeticamente foi a cantora lírica e escritora Alice Mesquita, a convite da poetisa Regina Alonso, coordenadora do projeto ‘Outras Palavras’, da Tam Tam. A iniciativa acontece uma vez por mês no local, oferecendo, gratuitamente, oficinas literárias dos mais variados temas e com diversos escritores da região.


Florbela e Pessoa3E foi de um jeito outro, inusitado, que Alice propôs essas ‘outras palavras’, fazendo com que naquela noite ambos os poetas - falecidos em meados do século 20 (jovens, ela com 36 anos; ele com 47) – batessem um papo em forma de poesia. Assim sendo, os dois dialogaram uma conversa boa por algumas horas.


Florbela mostrou sua emoção e extroversão, enquanto Pessoa, a razão e introversão. Os participantes, por meio de fotografias e narrativa, se deixaram levar a uma viagem imaginária às terras portuguesas, quem sabe à beira do Rio Tejo... No bate-papo, o fazer poético, claro, foi um assunto inevitável. E Florbela disse sobre seu ofício vocação:


‘Ser poeta é ser mais alto, é ser maior


Do que os homens! Morder como quem beija!


É ser mendigo e dar como quem seja


Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!


É ter de mil desejos o esplendor


E não saber sequer que se deseja!


É ter cá dentro um astro que flameja,


É ter garras e asas de condor!


É ter fome, é ter sede de Infinito!


Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...


É condensar o mundo num só grito!


E é amar-te, assim perdidamente...


É seres alma, e sangue, e vida em mim


E dizê-lo cantando a toda a gente!’


Pessoa, por sua vez, mostrou sua visão:


‘O poeta é um fingidor.


Finge tão completamente


Que chega a fingir que é dor


A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,


Na dor lida sentem bem,


Não as duas que ele teve,


Mas só a que eles não têm.’


Os participantes, que encheram a sala do Rolidei, foram até a época desses poetas lusitanos, e ao final se permitiram aflorar as Florbelas e os Fernandos existentes em si, arriscando versos, frases ou desenhando sobre ambos. Quem estevFlorbela e Pessoa1e naquele encontro nada casual pôde descobrir que Florbela foi uma das precursoras do movimento feminino naquele país. E que em seus versos conturbados e ardentes, ela afirma a livre intimidade de mulher. 


Pôde ainda saber que Pessoa expressou-se tanto com o seu próprio nome, como por seus heterônimos, entre eles Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, os mais famosos. E que sua genialidade era tamanha que não cabia em um só homem; eram necessários vários para tanta criatividade. Era preciso várias ‘Pessoas’.


Com recortes de poemas dos dois, Alice Mesquita foi seguindo a noite assim, com a liberdade de quem tem intimidade. “A vida me levou para vários caminhos. Até que finalmente cheguei no tempo da liberdade. Então tomei a liberdade de promover este encontro literário, já que a imaginação não tem limites”, afirmou a artista poliglota. “O mais interessante de tudo é a língua. Com ela você conhece tudo”, ressaltou.


E Alice ainda brindou o público com sua voz maviosa e afinada, que entra no ouvido sutil, espalhando-se por todo o corpo em arrepios. Para finalizar o ‘encontro’ dos dois poetas portugueses – e de tantos outros ali presentes -, ela fechou o momento declamando uma poesia de sua autoria:


“Encontros


Desencontros


Reencontros


São contos


Contados


Guardados


Em cantos


Recantos


Do encanto


De viver.


Encontrei...


Frutificará?


Não sei, não importa


Nada corta


O encanto


De viver.”


Em seguida, apagou a chama da “vela do nosso imaginário” – disse ela, como um ritual, uma oração que termina. E Florbela e Pessoa se despediram marcando a noite pela sensibilidade, criatividade e imaginação. Pela língua e pela palavra.

Interview with DJ JEM ATKINS
31/07/2010

dj-jem3By Simone Ribeiro (@moluska)


Photos: from his personal file


Nearly 25 years dedicated to the dance music scene: Jem Atkins is one of the top DJs from Birmingham, England. After so many years performing in some of the most famous clubs in UK, Jem stills keeps the same enthusiasm about his scratching, mixing and overall performance when behind the decks. Midiativa interviewed the legendary Birmingham DJ to know a little bit more about his career.


MA - How and when did you start as a DJ?


ATKINS - The year was 1986, and I’d already spent a few years involved in the Breakdancing, Graffiti, Hip Hop scene and for many a fledgling Bboy was introduced to the film Wildstyle, which featured the legendary Grandmaster Flash. From there on in I knew exactly what I wanted to do.


MA: You’ve been a DJ at a lot of Birmingham’s top nights for such a long time, including being a resident at legendary clubs such as Crunch. You’ve also played much further afield but how do you feel, being considered as one of the top DJ`s from the Birmingham scene?


ATKINS – It’s the influence I’ve had on other DJ’s that’s most rewarding for me. I’ve dedicated almost 25 years to my music, and it’s really nice when someone comes up and tells me I’ve had an effect on them.
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MA -  How do you prepare your sets? And what are your influences and where did you learn to "scratch" so good, when using vinyl, or did it come naturally?


ATKINS - I still DJ pretty much 3 days a week so my sets really just evolve by adding new tracks every so often, unless it’s a one off special event where I’m playing Hip Hop or Classics, then I have to dig deep into my record collection. Many of the early Block Party and scratch DJ’s influenced me, who’s scratch techniques I copied and practiced relentlessly until I became accomplished. As an avid follower of Hip Hop and Electro music, and through artists and labels such as Richie Rich, Tyree Cooper, Warp Records, Sleeping Bag Records, I discovered House music.


MA - What do you consider as the most memorable period of your career as a DJ?


ATKINS - The early days. Every time I heard a new track, discovered a new scratch technique, played to an audience, it was all brand new and very exciting. Also gaining my first residencies, Marco Polo’s, Crunch, Fun, S.L.A.G. The early days of House music and supplying music for "Ravers".


MA - Brazil has plenty of DJs who are considered famous worldwide, such as Marky. Do you know and like anything about Brazilian music?


ATKINS - I don’t usually look too deep into where the music I play comes from, which label it’s on etc. I know I should but after spending most of my life doing just that, I now like to spend more time just enjoying the music. Too many DJ’s nowadays chase certain DJ’s, producers and record labels, which in my opinion makes their DJ style very uninspiring, though I have say I do really like the Brazilian House sound for it’s rawness, and it features throughout my sets. I hear Marky is a great DJ but the Drum and Bass sound has never been to my taste.


MA - Tell us a little about Havana Records. Who was involved and how many releases did you have personally on that label?


ATKINS - Havana was set up by myself and Back2Bassics (The Drum and Bass Label) as an output for the music I’d been creating over the years. We managed around 20 releases on the label with a few being licensed to others. Through Havana I went on to release remixes, and other tracks on many other labels across europe.


MA - What about your work as a music reviewer Leap, the legendary clubbing magazine from the Midlands?


ATKINS - I was renting studio space from the same building that the magazine was being set up, so was asked to get involved. I managed the music side of things as well as tours, interviews with other DJ’s, club owners, and tea making.
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MA - If you were not a DJ, what would you do professionally?


ATKINS - I have qualifications in Micro electronics so anything to do with music technology would be my ideal choice, although I do quite fancy being Jem the Builder!


MA - Nowadays, loads of people like DJing. This is also very common in Brazil, and with all new, accessible technology that is available everyone thinks that they can be a DJ. Do you like how it is now or would you like it to return to the days when it was, literally, two turntables and a mixer?


ATKINS - The good old days without a shadow of a doubt! Tracking down records in a store, learning how to beat mix. The whole discovery of it all doesn’t exist anymore, save for a certain few. Everything is given. Which DJ’s you should follow, music to download, equipment to buy, clubs to go to, radio station to listen to etc etc... Gone are the days when you had to listen to hours of music to find what you liked, which in itself introduced you to other genres of music you wouldn’t usually listen to, and maybe you even liked. Practice for hours on end to get the perfect mix rather than all at the press of a button. Two turntables, a mixer, and a record shop. Actually that might just be the name of my new track!


MA - You have the little babe now. Has being a father and having to do DJ work during the weekend been something difficult for you? How has being a family man changed your lifestyle?


ATKINS - I hate being away from home now so try not to be too far away these days although offers of gigs overseas do still come along. Being with my family is the most important thing to me and always has been, but I still have to do my job.


MA - How do you see your DJ sets in 10 years?


ATKINS - I’m looking to take more time producing now so can relax on the DJ work, but unfortunately the two go hand in hand, and I’m still as eager as ever to get behind the decks and rock the party so who knows? Maybe I’ll get a job on radio!


More about Dj Jem Atkins click here.

México: Huracán, ayuda y Rock
31/07/2010

furacaoalex1Por Cintia Jasso (@cintiajasso)


Fotos: Israel Marinez


Bien dicen que cada acción tiene una reacción y el calentamiento global  y nuestro mal comportamiento con la naturaleza son acciones que están tomando reacciones que nos afecta a toda la humanidad.


México es un país con un territorio extenso y hace unas semanas la gente de los estados del norte, aquellos que colindan con Estados Unidos, sufrieron tras el paso del huracán “Alex” (por suerte más en lo material que en lo espiritual).


Inundaciones por donde quiera, humildes casas que quedaron en la nada y muchísimos destrozos en la vía pública, gente incomunicada, sin luz, sin agua, fue lo que dejó este fenómeno natural en su paso por tres días.


Por la precaución de parte de los ciudadanos, fueron mínimas las muertes registradas pues al escuchar sobre estas fuerte lluvias se optó por acudir a una zona segura.


Los daños han sido numerosos y millonarios en los tres estados afectados, Nuevo León, Tamaulipas y Coahuila. Pero el apoyo y la solidaridad han fluido desde el inicio en instituciones tanto gubernamentales como de iniciativa privada.


En Monterrey, una de las ciudades con gran  desarrollo, además de la donación también hubo eventos a beneficio como conciertos y tocadas, los cuales aun siguen.


Entre los más destacados a nivel masivo fue el que el gobierno realizó, reuniendo a las televisoras de la localidad, quienes durante días enteros intercambiaban a sus conductores en programas en vivo y aunque esta acción fue muy criticada, al menos dejó algo de humanidad.


Ese “algo” fue el concierto llamado “Unidos Somos Nuevo León" se realizó con éxito con la colaboración de artistas y conductores reconocidos en el país como Pedro Fernández, Adal Ramones, Tatiana, Bobby Pulido y Carmen Salinas quienes participaron en el evento gratuito con la finalidad de recolectar despensas, agua embotellada y donativos para los afectados.
El show lo hicieron artistas de moda, reconocidos y de gran trayectoria en esta nación como Danna Paola, Ernesto D´Alessio, Jhonny Laboriel, Costumbre, Los Claxon, Myriam, Erick Rubín, Paty Cantú y Víctor García, entre otros.


Los bares y centros de entretenimiento local como el Café Iguana (bar de tradición para la banda rockera, alternativa o indie) han colaborado con la causa.


También los rockeros han aportado un poco de su música como la tocada denominada “Va X el Norte”,  que incluía a bandas de Monterrey, Guadalajara y el Distrito Federal.


En esta presentación estuvo el grupofuracaoalex2 Niña; el rockero Flip Tamez, ex integrante de Jumbo; la agrupación Suárez y Dirty Karma.


El viernes 30 de julio en Monterrey se planea una tocada “The #Alex Fuck Off Party”, con bandas de algunos colectivos como Happy-Fi, donde el cover será donativo, para mayores informes visitar este sitio


Los donativos y la ayuda aun son necesarios pues los daños han sido fuertes y para que se den una idea de lo dicho, les dejamos el link del blog de Diego Huerta, un joven regiomontano radicado en Austin y quien trajo su lente hacia los hechos de ayuda.


Irene Torres, una joven periodista de la localidad ofreció para el periódico gratuito La Rocka, una breve entrevista con él por su trabajo por captar las escenas altruistas de ayuda en un ensayo fotográfico.


Hasta la próxima que tenga un buen día… ¡agradezcan y disfruten el poder tener un techo donde dormir y sobretodo qué comer!. Aquí les dejamos el link con las fotografías de Diego.

Resenha: Kick-Ass
31/07/2010

kickass1Kick-Ass personifica a fantasia dos leitores de HQ


Por Roberto Feliciano (@velhorob)


Eu costumava ser um voraz e constante leitor de HQs quando tinha uns 12 ou 13 anos. Chamávamos de “gibis” e, por sermos todos moleques, não tínhamos a dimensão do que eram aquelas revistas em quadrinhos e do que representavam para a cultura pop mundial. Éramos um bando de garotos e costumávamos dizer que nunca deixaríamos de colecionar aquelas revistas. Em parte, isso até que é verdade.


Para quem não tinha esse hábito deve ser difícil imaginar como era a espera pelo dia exato em que “A Teia do Aranha” chegaria às bancas ou a ansiedade para saber quais personagens teriam histórias na edição de agosto da “DC 2000”. Estamos falando aqui sobre 1992 e, por alguns instantes, tenho a impressão de que foi ontem.


E não parecem tão distantes os dias em que eu ficava no meu quarto, olhando para cima e me imaginando com um daqueles super-heróis, combatendo o crime com um codinome e um uniforme legal. Não há por que se envergonhar de pensar esse tipo de coisa aos 12 anos. Ia ao banco com meu pai e, depois de ler o Homem-Aranha derrotar o Octopus, ficava imaginando uma gangue de ladrões invadindo a agência e eu entrando em uma cabine qualquer para vestir meu uniforme, derrotar os caras maus e salvar o dia.


Para minha sorte, isso nunca aconteceu.


A HQ “Kick-Ass”, que chega ao Brasil em uma encadernação caprichada da Panini, e o filme de mesmo nome, que estreou por aqui em junho, trazem tudo isso à tona. Todos esses sentimentos estão presentes nas muitas conversas do protagonista com seus amigos ou, na maioria das vezes, com sua própria consciência.


kickass2O garoto Dave Lizewski lê tantas histórias em quadrinhos que não consegue deixar de imaginar se alguém não poderia fazer aquilo na vida real. Até o momento em que ele mesmo o faz: compra uma roupa de mergulho ridícula e começa a andar pela vizinhança a caráter.


Não demora para ele perceber que a vida de um super-herói não é fácil. No primeiro confronto com criminosos de verdade, acaba se dando mal, de verdade. Isso seria o suficiente para um garoto desistir de uma ideia maluca, mas não para Dave.


Ação não falta. A história é terrivelmente sanguinária, do começo ao fim, honrando a tradição dos quadrinhos adultos e mostrando que, apesar do nome engraçadinho, não se trata de um simples “gibi”, mas sim de uma graphic novel de primeira qualidade que equilibra bem todo o sangue derramado com uma boa dose de senso de humor.


Também devo assumir que me sinto meio privilegiado em ler tantas referências que só “os da minha turma” vão entender, como quando Kick-Ass é perguntado, de forma irônica, se é um herói da era da prata*, por conta de suas dúvidas em matar ou não os inimigos.


Há muitos debates nerds entre as personagens. E você pode até parar para pensar se Dave Lizewski tem razão ao dizer que seria inverossímil mostrar Peter Parker construindo um lançador de teias nos filmes do Homem-Aranha.


É aí que entramos na questão do que deve ser retratado ou deixado de fora em um filme adaptado dos quadrinhos. Há detalhes importantes da história que não foram para a tela, reforçando o clichê de que uma adaptação nunca chega aos pés da obra literária original, mas penso ter sido melhor assim. O filme é muito bom e talvez fosse desnecessário mostrar o final da HQ em uma “sessão pipoca” como essa.


Mesmo assim, o longa ainda é bem violento e não há como não ficar embasbacado com todo o derramamento de sangue, principalmente por parte da personagem Hit-Girl, uma garota de dez anos, mas que bate como adulta.kickass3


As atuações do elenco desconhecido (à exceção de Nicolas Cage, ele próprio um fã de quadrinhos, como o sobrenome denuncia) são acima do esperado, até mesmo com certas doses de canastrice nos momentos certos.


Uma HQ como há muito não lia, um filme muito bom. Kick-Ass não foi tão valorizado por aqui, o que é uma pena. Mas “os da minha turma” sabem o seu devido valor.


* Período que começou na década de 50, no qual as explicações para origens de super-heróis começaram a ganhar elementos de ficção científica. Pouco importava a verossimilhança. Também houve uma valorização nos conflitos pessoais dos personagens, trazendo seus dramas para as histórias. São dessa época Homem-Aranha, Hulk e Homem de Ferro.

Tão maldito quanto genial
31/07/2010

the-damned-united 03O controverso treinador inglês Brian Clough ganhou uma caprichada cinebiografia


Por Maurício Targino (@Mau_Targino)


Treinadores de futebol personalistas ao extremo não são novidade. Wanderley Luxemburgo, no Brasil, e José Mourinho, na Europa, são talvez os maiores exemplos nos dias atuais.


Mas bem antes dele existiu o inglês Brian Clough, protagonista do excelente The Damned United (no Brasil, Maldito Futebol Clube), filme dirigido por Tom Hooper em 2009, lançado pouco mais de um mês atrás em terras brasileiras diretamente em DVD.


É uma história fantástica. Brian Clough foi um jogador-prodígio no futebol inglês nos anos 60. Atuou Middlesbrough e pelo Sunderland e marcou mais de 250 gols em menos de 300 partidas pelos dois clubes e jogou também algumas partidas nas seleções de base e principal da Inglaterra. Aos 29 anos,  Clogugh teve que encerrar a carreira the-damned-united 01precocemente aos por conta de uma grave lesão nos ligamentos do joelho dois anos antes, abraçando a carreira de treinador.


The Damned United focaliza a tumultuada passagem de Clough (interpretado por Michael Sheen, o Tony Blair de A Rainha) pelo então poderoso Leeds United em 1974. O Leeds era o atual campeão inglês e viu seu treinador Don Revie (Colm Meaney, o Agente Malloy de Con Air, e dono de uma impressionante semelhança com o Revie real) assumir a Seleção Inglesa que não passara das eliminatórias para a Copa de 74 na Alemanha.


Após 13 anos e vários títulos no Leeds, Revie seria substituído por Clough (ambos conterrâneos de Middlesbrough), que conquistara o campeonato inglês de 1972 com o modestíssimo Derby County. Clough, auxiliado por Peter Taylor (Timothy Spall, o Peter Pettigrew da série Harry Potter), assumira o Derby em 1967 na Segunda Divisão e sempre teve uma rixa pessoal com Revie e o futebol (sujo, segundo Clough) praticado pelo Leeds.


O roteiro, brilhante, mostra a chegada e trabalho de Clough no Leeds em idas e vindas à ascensão do Derby County, um time que teve seu único momento de grandeza na história graças a Clough, dono de uma personalidade que põe no chinelo os já citados Luxemburgo e Mourinho.


Como quase todo filme de futebol, The Damned United não tem nas cenas de futebol seu forte. São, de fato, bem pouco realistas. Tanto que o uso de imagens de arquivo é recorrente e muito bem feita. Fato que torna o filme ainda melhor do que já é.


the-damned-united 02Com grandes atuações, uma direção ágil e uma história espetacular e (injustamente)pouco conhecida fora da Inglaterra, The Damned United é uma excelente pedida não apenas para quem gosta de futebol.


Aqueles que não gostam do esporte também vão adorar: é impossível não gargalhar com Clough, dono de frases como “Se Deus quisesse que jogássemos futebol nas nuvens, teria colocado grama nelas”, se referindo à velha mania inglesa de chutões e bolas levantadas na área.


Para saber mais sobre Brian Clough e The Damned United, o site ClassicoFC tem três excelentes textos:


- Um gênio chamado Brian Clough


- Pérolas fanfarronicas de Brian Clough


- Resenha- Maldito Futebol Clube / The Damned United


Confira o trailer:

Desventuras, crimes e afeto
31/07/2010

senadamaisdercerto1Por Michel Carvalho (@michelcarvalhos) *


A ética de cada indivíduo é determinada pelas condições do dia a dia? O longa Se nada mais der certo, do diretor José Eduardo Belmonte (A Concepção) mostra que um sujeito em crise pode acabar entrando numa vida criminosa sem perceber, principalmente quando encontra pessoas que compartilham desse mesmo sentimento de decadência. Frenético e com lacunas, o filme aposta numa história violenta e humana simultaneamente.


Léo (Cauã Reymond) é um jornalista desempregado, endividado e que vive com a viciada Angela (Luiza Mariane) e seu filho. Numa noite à procura da companheira, Léo conhece Marcin (Caroline Abras), uma garota que se comporta como um pivete, frequentador de “bocas” e zonas. Ela o apresenta a Wilson (João Miguel), um taxista que não consegue dinheiro para bancar seu táxi. Os três se unem para aplicar golpes. Dessa aproximação surge, então, uma forte relação de carinho e cumplicidade. Sem limites, o grupo acaba se envolvendo com pessoas muito perigosas.


Quanto às interpretações, destaques para Carolina Abras que consegue dá vida a um personagem ambíguo, ora frágil, ora sagaz e João Miguel, um sujeito deprimido a ponto de explodir a qualquer momento. Outra atuação marcante é do ator Milhem Cortaz que vive um travesti “barra pesada”, rendendo um dos momentos mais engraçados do filme. Já Cauã se esforça, mas não convence como um jornalista em derrocada, falta melancolia e alguns anos a mais.
Se nada mais der certo
é dividido em atos, porém, esse artifício não impede alguns vazios que dificultam o entendimento da história. Parece que tudo acontece de maneira inusitada e sem explicação. Talvez essa falta de linearidade seja uma questão de estilo, a assinatura do diretor. Belmonte comentou que o longa trata fundamentalmente de relações humanas, negando o rótulo de violento, mas é difícil dissociá-lo dessa imagem numa trama repleta de tiros, drogas e prostituição.


(*) Michel Carvalho é jornalista e editor do blog Mídia Cidadã

English Breakfast – Caloria e Sabor
31/07/2010

breakfast1Por Thales Paiva (@thalesrugby


Acordar cedo, sentar à mesa e comer pão com manteiga e leite? Na Inglaterra isso chega a ser piada!


Aquela frase que a gente sempre ouve “O café da manhã é a refeição mais importante do dia” é levada bem a sério por lá, porém, a famosa “dieta balanceada e saudável” foi ignorada.


O English Breakfast ou English Fry-Up possui cerca de 3 mil calorias e, justamente por isso, tem tanta importância na história inglesa. Criado durante a revolução industrial como forma de combustível para uma manhã de trabalho da “working class” (classe trabalhadora), que era muito exigida e explorada. Esses trabalhadores passavam mais de doze horas por dia em fábricas e minas e chegavam a gastar 8 mil calorias por dia.


O café da manhã possui ovos fritos com a gema bem mole, bacon, salsichas, cogumelos salteados, tomate frito, pão frito e feijão (geralmente de lata) cozido ou assado, além de acompanhar o tradicional chá com leite inglês (chá preto com um pouquinho de leite). Muito comum, também é o chamado Beans on Toast (Feijão na torrada), que o nome já explica.


Algumas variações possuem batata frita acebolada e passada na farinha, ovos mexidos, hambúrguer, café puro frio e white coffee (o nosso café com leite quente).


Os sabores nem de longe lembram algo que se come normalmente no Brasil. Em meio a tanta gordura, o feijão (com um molho ligeiramente doce) surge como salvador das papilas gustativas que já estavam impregnadas de óleo. Mesmo com esses contras da gordura é um café da manhã delicioso, com sabores e texturas diversas.


breakfast2A maioria dos ingleses opta por um café da manhã mais leve durante a semana, com cereais ou o famoso “porridge” que consiste em aveia fervida com água ou leite, onde é adicionado sal ou açúcar, porém, existem muitas famílias que não abrem mão do English Breakfast todos os dias. Nos finais de semana, definitivamente, esta é a mais pedida em toda Inglaterra.


O English Breakfast pode ser encontrado na maioria dos bares, lanchonetes e hotéis ingleses e, no Brasil, em todos os Pubs que abrem no período da manhã. Na Inglaterra custa cerca de £6,00 e no Brasil de R$12 a R$19.


Gostemos ou não dos sabores do café da manhã inglês, são sabores que deveriam ser provados e podem ser feitos em casa, pois possuem ingredientes simples e facilmente encontrados no Brasil. Fazer um legítimo café da manhã inglês não é caro e não demora mais de 20 minutos.

Smartphones: novos horizontes
31/07/2010

smartphones1Por Wellido Teles (@wellido) 


De tempos em tempos, nos deparamos com modismos que nos incentivam ao consumo. Alguns passam como leves brisas, sem balançar tanto nosso interesse e vontade. Já outros surgem como grandes tufões, como tendências que acabam por se firmar no gosto de uma parcela considerável da população.


Atualmente, o item que mais parece se aproximar desta condição é o smartphone. É um celular como qualquer outro, porém com o grande diferencial de reunir uma série de engenhocas e recursos avançados que o torna uma espécie de computador de bolso.


O quê? Apenas receber e fazer ligações? Nada disso. A graça hoje é ter um aparelhinho que tenha um sistema operacional, aplicativos dos mais variados e com diferentes funções, acesso a internet sem fio (wifi), conexão 3G ou WAP, câmera digital de alta resolução, reprodutor de músicas, rádio FM, GPS, atalhos para redes sociais... e sim, que também faça e receba chamadas, é claro! Enfim, quanto mais funcionalidades, melhor.


Até pouco tempo, o fator preço era decisivo para que apenas uma pequena parcela da sociedade (leia-se pessoas de classe alta) conseguisse adquirir aparelhos mais inovadores. Os preços giravam em torno de R$ 1.500. Contudo, hoje encontramos modelos de marca custando a partir de R$ 500, o que ajuda a entender a expectativa da consultoria IDC, que prevê que sejam vendidos 4 milhões de smartphones em 2010. Hoje eles representam apenas 6% dos aparelhos do País, segundo a GfK, mas há um vasto terreno a preencher.


É justamente por estes fatores (modismo + preços acessíveis) que o smartphone é mais que uma novidade tecnológica. Representa também a chegada de uma nova filosofia de comportamento, isto é, de novos hábitos e costumes das pessoas, mesmo que elas não percebam. Também pudera. Existe um caminho natural para que ele se torne, em pouquíssimo tempo, o novo centralizador da rotina de acesso a ferramentas digitais e, principalmente, à internet.


Imagine só. O ato de ligar para um amigo ou contato profissional, bem como receber chamadas, passou para um papel secundário. Ou melhor, ostenta o mesmo peso de outras ferramentas bastante úteis e funcionais, centralizadas para uso em um único aparelho. Gradativamente vemos este “brinquedinho” assumindo a habilidade de vários. Reparem que há poucos anos precisávamos do celular para fazer ligações (quando tínhamos eles), de computadores para mandar e-mails, de uma câmera digital para tirar fotos e por aí vai. Hoje, o smartphone consegue centralizar tudo.


smartphones2Entretanto, o grande valor está no fato de termos a internet de forma fácil, na palma da nossa mão. A internet capitaneia tudo. Sabemos que as operadoras cobram muito caro pelos pacotes de dados, mas vale lembrar que existem inúmeros modelos com tecnologia wi-fi, em que você pode fazer uso da internet sem fio e ter acesso total ao mundo virtual.


Desta forma, todos os recursos de interação, informação e relacionamento proporcionados pela Web acabam por seguir nossos passos. Basta usarmos o smartphone. Podemos entrar em nosso comunicador (MSN), mandar e-mails, verificar nossos perfis em redes sociais como Twitter, Facebook e Orkut, ver os lugares indicados por amigos por meio do Foursquare (rede social de geolocalização), ver o saldo no banco, abrir o site do cinema para ver as próximas sessões, enfim, as possibilidades são inúmeras.


O que antes fazíamos de nossas casas, passamos a fazer enquanto estamos no carro, no aeroporto, em casa, na fila do banco... O smartphone é apenas o início de um mundo cada vez mais conectado e móvel. É necessário apenas que tenhamos uma espécie de controle para não ficarmos “pilhados” 24 horas por dia e esquecer que o mundo não se resume apenas ao caráter virtual e digital. Infelizmente nem todos sabem a hora de largar os instrumentos digitais. Mas aí é história para outro texto.


E você? Gosta desta onda? Tem um smartphone? Ou tem saudade de como as coisas eram antes, em que tínhamos um aparelho para cada necessidade? Estamos realmente ligados e conectados em excesso?

Alive till I am dead_Professor Green
31/07/2010

green3Por Simone Ribeiro (@moluska) 


Desde a descoberta de Mike Skinner, aka The Streets, já era hora de aparecer uma nova cara no hip hop britânico. Uma cara nova que também não fosse Kanye West, sure! Pois esse nome apareceu e foi pelo mesmo selo de Skinner, a The Beats, que a carreira de Stephen Paul Manderson, o Professor Green, ganhou projeção. Em 2008, Green ganhou a batalha de rap do Jump off do site de relacionamentos MySpace e pronto, estava preparado para os top charts das paradas inglesas.


Foi com I need you tonight, com sample e nome de música do INXS, que Green entrou nas paradas. Mas a parceria com Lily Allen, em 2009, ao gravarem Just be good to Green foi o que nos trouxe até Alive till I am Dead, primeiro CD do rapper queridinho de Allen.


Se engana quem olha essa carinha de moleque, esses olhos azuis criado a base de Toddy e pensa que Professor Green não é do gueto.


Como todo rapper que se preze, Green tem história hardcore de vida para contar, que envolvem desde infância conturbada até brigas que lhe renderam uma cicatriz no pescoço proporcional a sorte que ele teve ao sobreviver a uma garrafada.


green1Ironia dizer que é no mesmo local de sua cicatriz que há uma tatuagem escrita Lucky? Em seu perfil no myspace Professor Green se descreve “como pedante, pessimista e sarcástico, muito sarcástico”.


O que vale é que essa marra toda rendeu um bom disco de estreia.  Alive till I am dead foi lançado em julho e de cara emplacou as duas músicas de parcerias interessantes, I need you tonight (com Ed Drewett, que não é nada conhecido por aqui, mas que tem um som bacana a quem interessar) e Just be good to Green (com Lily Allen, que dispensa apresentações).


green2Alive till I am dead é mais pop que rap. Vai fazer mais sucesso nas pistas que nos guetos, por exemplo. E não se pode negar que a comparação com Eminem vai ser inevitável.


Mas a combinação de beats, samples, parcerias (com vários desconhecidos por aqui) e energia do primeiro Cd de Professor Green podem emplacar muito mais músicas. Seja com os hits, nos momentos R’n’B de Where do we go (feat. Shereen Shabanaa) ou na cheia de elementos dub Monster ( feat.Example), que sem dúvidas, é uma das faixas mais empolgantes do disco.


Parece que Professor Green achou a perfeita combinação do que não é só rap, nem só pop, mas é hip hop em seu cd de estreia. Basta saber se vai ficar só nisso. Se bem que com os boatos de uma possível parceria com o top DJ Mark Ronson, as coisas andam pretty much good to Green.


Quer saber mais?  http://www.professorgreen.co.uk/

O novo de Roberta Sá e Trio Madeira Brasil
31/07/2010

musica_brasileira_foto02Por Carolina Robortella (@carolrobo)


As ondas do mar mais uma vez embalando a música popular brasileira. Desta vez, com muita suavidade e movimento, como são os braços do mar quando alcançam sua beirada. Assim é Quando o Canto é Reza...


Após seu cd ao vivo Pra se Ter Alegria, lançado no ano passado, Roberta Sá vem agora fazer uma homenagem ao compositor baiano Roque Ferreira, juntamente com o grupo carioca Trio Madeira Brasil


Bom pra quem gosta de muito samba, chorinho e ritmos populares brasileiros. Zeca Pagodinho, Dudu Nobre, Elton Medeiros, Martinho da Vila, Clara Nunes e Beth Carvalho já cantaram este sambista, que compôs músicas famosas como Samba pras Moças e Água da Minha Sede de Zeca Pagodinho.


O CD é composto por 13 canções, com uma variedade grande de ritmos brasileiros, como coco, maxixe, samba carioca, maracatu, ijexá, entre outros. Dá pra ouvir online, aqui.


Uma boa oportunidade para quem quer conhecer um pouco mais da sonoridade e cultura brasileiras. É ouvir e imaginar o mar, batendo nas pedras... trazendo paz.

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